O tímido fantasma de 64: a marcha da família e a marcha antifascismo.

Após cinquenta anos do golpe que colocou o Brasil num regime ditatorial, e quarenta e cinco anos de instituição do AI-05, onde se praticava perseguições, torturas e supressão da democracia. Movidos por ignorância ao que de fato ocorria no período de regime Militar, setores conservadores da sociedade se reúnem para pedir, entre outras coisas, uma “intervenção militar constitucional”, o fim do partido dos trabalhadores (PT), a exclusão de Dilma e Lula da política, renovação do exercito brasileiro, e ainda, uma intervenção militar, aludindo ao período do golpe de 64. Reunidos na Praça da República em São Paulo, contaram com o apoio da polícia militar que organizavam e delimitavam a trajetória da marcha.

Em resposta à marcha fascista, que propunham tirar a atual presidência do poder, por intervenção militar, assim como ocorrido em 1964. Na Praça da Sé se reuniram diversos grupos anarquistas e político-partidários com histórico de luta pela democracia e resistência à ditadura, além de cidadãos que formavam uma pluralidade de ideias que se reconheciam no ideal de liberdade. Estes logo se dirigiram em direção ao antigo DOPS próximo à Estação da Luz. A polícia ostentava seus escudos e seus rifles que de tão grandes pareciam pesados, erguidos e empunhados, ostentados como falos em suas mãos a os excitarem, ansiosos pela ação. Sorriam e, estrategicamente fechavam cerco em volta dos manifestantes que gritavam e cantavam musicas contra o fascismo, onde até mesmo o senador Eduardo Suplicy se colocou a citar “pra não dizer que não falei das flores” de Geraldo Vandré.

“Felizmente são poucos” (…) “Nós precisamos construir o Brasil por meios democráticos. Eu aqui conclamo todos, inclusive black blocks e Anonymous, a sempre caracterizar suas ações e protestos pela não violência” diz Suplicy sobre Marcha da Família (Estadão.com)

025

Cobrindo as duas manifestações, tive a impressão de que a manifestação fascista era maior que a antifascista, logo no final da tarde percebi que estava errado, quando vi que o número dos que estavam dispersando da marcha antifascismo tinha aumentado durante a passeata. Não ouve tumulto, mesmo porque não ouve confronto, as marchas se evitaram e cada uma tomou seu rumo.

Uma falsa promeça de segurança e estabilidade.

Durante o período de Regime Militar (1964-1984), a dívida externa passou de cerca de US$ 3 bilhões, em 1964, para quase US$ 100 bilhões no final do último governo militar. Os grandes beneficiários deste endividamento foram as multinacionais, seguidas das grandes empresas de capital nacional. Além de agravar a divida externa do Brasil e proporcionar uma falsa sensação de progresso e prosperidade, os custos deste endividamento foram jogados nas costas dos trabalhadores.

Douglas G. Fernandes.

Anúncios

Sobre Douglas G. Fernandes

Professor de História graduado pela UNIMESP e Filosofia graduando pela UNIFESP. Autor do Portal Alexandria.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: