Marcha Antifascista X Marcha Pela intervenção Militar.

Por: Professor Luciano Roberto.

DSCI0158Apenas uma análise sobre um assunto que, incrivelmente para a grande mídia rendeu menos que os “rolezinhos”, vale em outro momento uma reflexão sobre isso.

Vi de perto e acompanhei boa parte das duas marchas, e o que eu vi foram algumas cenas lamentáveis dos dois lados.

A primeira chamada de Marcha Antifascista teve momentos memoráveis, como quando o senador Eduardo Suplicy sobe ao carro de som e, entoa “Pra não dizer que não falei das flores”, música de Geraldo Vandré que se tornou um hino estudantil na luta contra a ditadura de 1964 (Geraldo Vandré que foi duramente torturado pelo regime militar). Suplicy, era um dos poucos ali que viveram no período do regime militar, era evidente à força e o empenho traduzidos em palavras e canções de quem viveu dias de terror na juventude, ele defendia com afinco a bandeira da democracia, não levantou bandeiras ideológicas, políticas ou de classes, ele apenas invocou o despertar da consciência para a LIBERDADE, SEM RESTRINGIR À NENHUMA DIREÇÃO O DESEJO DE LIBERDADE, QUE DEVE SER DIREITO TANTO DA DIREITA PERDIDA E SEM IDENTIDADE, QUANTO DA ESQUERDA FATIADA, DIVIDIDA, SUBDIVIDIDA E JAMAIS COESA.

O que se viu antes e depois, foram sucessões cansativas de tentar inflamar a pequena multidão que alí estava. Além de grupos específicos que, demonstravam completa falta de consciência política, onde a palavra fascismo passava longe da compreensão dos mesmos. Estavam fazendo uso de drogas, encarando e provocando a polícia, deixando claro que o único propósito deles, eram os costumeiros confrontos, o que não ocorreu para a frustração de alguns.Enfim, considero o saldo deste ato positivo, principalmente para muitos jovens que participaram e tiveram expandidas suas consciências políticas e sociais.

A segunda que chamo aqui de “Marcha pela Intervenção Militar”, parecia um desfile de carnaval, com fanfarra e fantasias, tinham mais organização e coesão, pois os objetivos desse ato estavam bem definidos, eles gritavam fora PT, contra a corrupção, ironizavam os episódios de torturas durante o regime militar e, deixavam bem claro que queriam os militares no poder novamente, chegando à bestialidade de aplaudir o helicóptero da polícia quando este sobrevoava o ato. Nesta também tinham robustos e inflamados voluntários, carecas que lembravam clássicos skinheads neonazistas, prontos para o embate, que também não aconteceu, entoaram o hino nacional celebrando um patriotismo ufanista, mas como no ato rival, também pudemos contatar pessoas totalmente inertes, marchando como zumbis, deixando claro que não faziam a menor ideia do que seria a nebulosa intervenção militar por via constitucional, seja lá o que isso signifique, mas que se tornou o principal mote deste ato. Enfim, considero também positivo o saldo desta, pois sendo boa ou muito ruim o que chamamos de democracia no Brasil, tivemos exercidos o pleno direito de manifestação por aquilo que se acredita.

Independente das causas e objetivos que motivaram os dois atos, pudemos experimentar sem repressão, censura e violência o direito à liberdade de expressão e o gozo pelo direito de externalizar nossos posicionamentos. Estas experiências políticas desse 22/03/2014 tão antagônicas na sua essência, serviram para mostrar uma face aperfeiçoada da nossa achincalhada democracia.

Luciano Roberto.

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Sobre Douglas G. Fernandes

Professor de História graduado pela UNIMESP e Filosofia graduando pela UNIFESP. Autor do Portal Alexandria.

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