A PERFORMANCE E A ESTÉTICA DAS MANIFESTAÇÕES DE JUNHO DE 2013.

Manifestações junho de 2013

Manifestações junho de 2013

Nas ruas e nos discursos vemos o efeito da pluralidade de sujeitos enquanto corpos políticos distintos que compõem uma multidão, a impossibilidade de um discurso coletivo ou mesmo um consenso. Uma diversidade de requerimentos e exigências que tomam o espaço urbano. Nos cartazes estão escritos desde exigências mais concretas, como cem por cento dos royalties do pré-sal para a educação. Ou até mesmo abstratas, como o fim da corrupção e um país mais justo.

Se pudermos extrair algo em comum dessa multiplicidade, seria nada mais do que a necessidade de ser ouvido e correspondido, uma demanda pela construção de um dialogo permanente entre o povo e seus governantes.

Num movimento performático de cartazes nas mãos elaborados simultaneamente conforme se organizavam, as ruas se enchiam de corpos que não se-deixavam encobrir por nenhuma voz mais clara e alta que a da multidão, nem bexigas ou bandeiras que se elevasse mais alto que as mãos erguidas e os cartazes a cima. Ao invés do carro de som, criam-se meios mais dialógicos e democráticos, que como numa malha permeável, se multiplicam e incorporam-se uns aos outros. Expressões de um descontentamento compartilhado. O espaço público é tomado. Os carros, mesmo que com certa resistência, dão lugar para os verdadeiros donos e os cidadãos tomam para si o que é público.

 Engana-se quem pensa que não há uma organização nos movimentos, o motivo é que ela se dá de forma colaborativa, não centralizada e des-hierarquizada. Uma composição que desarranja nossos conceitos de objetividade política. Um movimento que não pode ser adjetivado ou classificado enquanto bom ou mau, pois não objetivam uma pauta a ser trabalhada, nem oferecem soluções políticas. É uma voz que grita.

No sentido de organização, enquanto como o movimento se compôs.  Podemos perceber que as novas formas de se relacionar: redes sociais, e-mails coletivos e comunicação independente, meios mais dinâmicos e autônomos que não sofrem por aprovação e censura. Em colaboração com as formas físicas de deslocamento de ideias proporcionaram formas diretas e autônomas de organização e representação, que por sua vez se tornam conflitantes com o velho jeito de se fazer política representativa no país.

Douglas G. Fernandes

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Sobre Douglas G. Fernandes

Professor de História graduado pela UNIMESP e Filosofia graduando pela UNIFESP. Autor do Portal Alexandria.

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