Luis Buñuel, Salvador Dalí e UM CÃO ANDALUZ.

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1° Luis Buñuel, Salvador Dalí e UM CÃO ANDALUZ.

Análise das cenas de UM CÃO ANDALUZ.

Lançado em 1928 na França, escrito, dirigido e editado em uma cooperação entre, os até então amigos, Luis Buñuel e Salvador Dalí. Que expandiram o conceito do movimento surrealista para o cinema. Considerado o primeiro filme dignamente surrealista, com todos os preceitos estéticos e filosóficos extraído direto das entranhas inconscientes de seus idealizadores.um cão andaluz, luiz bunuel

Para entender o filme, é necessário conhecer tanto seus executores como também o movimento filosófico e histórico do pós-primeira guerra.

Nesse período o mundo já estava fatigado dos discursos racionalistas que procuravam justificar os genocídios mundiais, tudo em nome da “paz”. Neocolonialismo, darwinismo social, Primeira guerra, consequentemente Segunda Guerra mundial e por ai vai. Tudo em nome de uma dita razão que esvaziou o mundo de significação e sentido em meio a tantos horrores e uma sociedade burguesa esvaziada de sensibilidade e preenchida por hipocrisia.

É nesse contexto que se encontravam os três amigos que geram os dramas que precedem o filme: Luis Buñuel, Salvador Dalí e o poeta Federico Garcia Lorca. Ao qual o título do filme consta como uma ironia cometida por Buñuel e Dalí ao poeta Andaluz que era homossexual e desejava consumir seu amor por Dalí, que até certo ponto alimentou suas esperanças antes de abandona-lo e atender ao convite de Buñuel de ficar uns dias em Figueiras (Espanha).Salvador Dalí e Federico Garcia Lorca

O filme é carregado do inconsciente de Buñuel e Dalí, concebido em uma confluência de sonhos e editado em uma sequência não linear que quebra a racionalidade e a logica, deixando a cada um a significa-lo por si mesmo. Uma regra simples adaptada de um acordo em comum: não aceitar qualquer ideia ou imagem que poderia levar a uma explicação racional, psicológica ou cultural. Abrir todas as portas ao inconsciente. Não admitir mais do que as imagens que os impressionaram, sem tentar descobrir por quê. Esta seria a aplicação do conceito de Automatismo psíquico atribuído à imagem surrealista por André Breton.

“Automatismo psíquico puro pelo qual se propõe exprimir, seja verbalmente, seja por escrito, seja de qualquer outra maneira, o funcionamento real do pensamento. Ditado do pensamento, na ausência de todo controle exercido pela razão, fora de toda preocupação estética ou moral.” (André Breton. MANIFESTO DO SURREALISMO,         1924).

Reza a lenda que os dois levaram pedras nos bolsos para se defenderem de represálias do publico na primeira apresentação do filme, este respondendo positivamente com aplausos, desapontado Buñuel e Dalí que esperavam chocar com sua obra. Por sorte entre eles estava o próprio André Breton que aplaudiu e acolheu o filme como uma grande obra cinematográfica surrealista.Luiz Buñuel e Salvador Dalí

Podemos identificar no filme alguns conceitos inerentes a seus criadores: O fascínio pela morte, associação entre a morte e o erotismo e toda uma fantasia integrada ao proibido.

Dentro da estética surrealista do filme podemos esperar

  • Delírios ilogicamente intercalados
  • Forte simbologia de choque
  • Intensificação do absurdo
  • Deslocamento da lógica do encandeamento das ações e as reações estranhas e inesperadas.

Um filme que choca por lançar-se ao absurdo como forma de entregar-se a uma realidade mais completa do que aquela seccionada pela racionalidade enfadonhamente superficial dos últimos séculos.

O movimento surrealista coloca-se em oposição, não à razão, mas sim contra um racionalismo que se inspira maldosamente na filosofia cartesiana e esvazia do mundo uma realidade mais ampla, a do sonho, das vontades e dos sentimentos. Baseado no Manifesto Surrealista de 1924 de André Breton, o surrealismo descreve a si mesmo como uma realidade maravilhosa. 

Douglas G. Fernandes.Obras "Malditas"

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Sobre Douglas G. Fernandes

Professor de História graduado pela UNIMESP e Filosofia graduando pela UNIFESP. Autor do Portal Alexandria.

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