Dadaísmo: “Manifesto do Sr. Antypirina” – “Manifesto dadá 1918”, fichamento.

Tzara Tristanda, Manifesto DaDa

TZARA, T. Sete manifestos Dada. Trad. José Miranda Justo. Lisboa: Hiena Editora, 1987.

Textos um “Manifesto do Sr. Antypirina” e dois “Manifesto dadá 1918”.

TEMA ESPECÍFICO: Estilo de escrita, posicionamento Histórico-filosófico do autor; proposição e posicionamento do movimento DADÁ.

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Fichamento temático dividido entre três topicos diferentes: 1° A ESCRITA DE TZARA; 2°A RELAÇÃO COM: seu período histórico, guerra, arte burguesa e movimentos racionalistas; 3° O POSICIONAMENTO DADAISTA. Seguido de considerações finais.

FICHAMENTO DADAISMO

A ESCRITA DE TZARA.

“Somos diretores de circo e apitamos por entre os ventos das feiras, pelos conventos, prostituições, teatros, realidades, sentimentos, restaurantes, ohi oho, bang, bang,.”(p. 9)

“Escrevo um manifesto e não quero nada, digo contudo certas coisas e sou por principio contra manifestos, tal como sou conterá os princípios”(p. 11)

“Para lançar um protesto é preciso querer: A,B,C, disparar contra 1.2.3.”(p. 11)

“No entanto exteriorizamos a facilidade, procuramos a essência central e facamos contentes se conseguimos esconde-la.”(p. 9)

APRECIAÇÃO: O estilo de escrita do autor dadaísta, revela-se sob aspecto de parábolas, livres associações de palavras por vezes com signos onomatopeicos que dão um novo sentido às palavras. Um rompimento com a ordem racional que esmaga o sentido do que é dito por uma expressão mais livre numa grande desarticulação fonética que, porém, não atrapalha a fluidez e a compreensão do texto.

Um exemplo é quando ele usa expressões como “ohi oho, bang, bang” ou “A,B,C, disparar contra 1.2.3.” no meio do texto, de certa forma para desorientar o espectador causando estranhamento e ao mesmo tempo atrai-lo com uma linguagem enigmática que busca ser compreendida, uma linguagem intima que acontece no amago do autor.

A RELAÇÃO COM: seu período histórico, guerra, arte burguesa e movimentos racionalistas.

“Aqui está a varanda de DADA, garanto-vos. Donde se podem ouvir as marchas militares e descer cortando o ar como um serafim para dentro dum banho popular para mijar e compreender a parábola”(p. 10)

APRECIAÇÃO: Observa-se de maneira sutil, porem clara, seu repudio ao movimento militar. Coloca o dadaísmo como um germe dentro do movimento de guerras de onde floresce para repudia-lo e escarnecer de sua sociedade. Uma parábola que só os atentos saciam seus entendimentos.

“DADA não é loucura, nem sabedoria, nem ironia, olha-me, simpático burguês.”(p. 10)

“Estamos fartos das academias cubistas e futuristas: laboratórios de ideias formais. Ou será que se faz arte para ganhar dinheiro e para fazer festas aos simpáticos burgueses? As rimas soam à assonância das moedas e a inflexão desliza ao longo da linha do ventre.”(p. 13)

“O cubismo nasceu simplesmente da maneira de olhar o objeto (…) O futurista (…) uma sucessão de objetos maliciosamente ornamentados com algumas linhas de força. Isto não impede que a tela seja uma pintura boa ou má destinada à colocação dos capitais intelectuais.” (p. 14)

APRECIAÇÃO: Evidente em seu manifesto o posicionamento crítico em relação aos movimentos artísticos burgueses, movimentos estes, que julga ele, serem formas pensadas de lucro colocando a arte como fim ultimo a serviço do capital. Chega a mencionar as formas artísticas como “futurismo” e “cubismo” os colocando como “ideias formais” num laboratório que se destina a construir novas formas de lucro impressas numa tela. Mais uma vez está presente o aspecto da racionalidade que objetiva as ideias do homem/artista às formas de obtenção racionalizada de lucro. Coloca em foco a sistematização da própria arte e o fim ao qual os artistas a destina.

“Depois vieram os grandes embaixadores do sentimento que gritaram historicamente em coro;

Psicologia Ciência Ciência

Viva a França

Nós não somos ingênuos

Nós somos sucessivos

Nós somos exclusivos

Nos não somos simples

E sabemos muito bem discutir a inteligência,

Mas nos, DADA, não somos da opinião deles, porque a arte não é seria” (p. 10)

“Quem é dos nossos conserva a sua liberdade. Não reconhecemos teoria alguma” (p. 13)

“Sou contra os sistemas, o mais aceitável dos sistemas é o de, por principio, não ter nenhum” (p. 16).

APRECIAÇÃO: As citações acima, em todo o seu manifesto são como amalgamas que prendem as ideias. Críticas tanto sobre a arte que estava ao serviço da ciência e da guerra, ao favor dos ideais burgueses como a própria conjuntura de um pensamento linear, lógico, teórico e formal que concebiam e sustentavam (ou sustentam) a autonomia e supremacia de um país sobre o outro, e em consequência, uma disputa de ideias que suprimia a liberdade. Isso fica evidente ao proclamar que os que concebem o movimento DADA, não reconhecem teoria alguma, e antes disso diz que a arte não é seria. Concluímos que o autor concebe as teorias e a logica sistemática e racionalizada como formas de privar o homem de sua especificidade mais autentica, a da criação pela livre criação, a que não serve interesses e que por ser livre não segue sistemas, nem lógicas.

O POSICIONAMENTO DADAISTA.

“Cada espectador é um intriguista logo que tenta explicar uma palavra”(p. 12)

“Não se constrói sobre uma palavra a sensibilidade; qualquer construção converge para a perfeição que aborrece”(p. 12)

“Como é que se pretende ordenar o caos que constrói esta infinita informe variação: o homem” (p. 12)

“Dadá é a vida sem pantufas nem paralelos: quem é contra e pela unidade e decididamente contra o futuro; nós sabemos ajuizadamente que os nossos cérebros se tornarão almofadas macias, que nosso antidogmatismo é tão exclusivista como o funcionário e que não somos livres e gritamos liberdade; necessidade severa sem disciplina nem moral e cuspimos na humanidade.” (p. 9).

APRECIAÇÃO: O dadaísmo se coloca como um incomodo à sociedade, algo que nasce de uma necessidade histórica de desgarrar com as produções literárias e artísticas à serviço da burguesia e dos movimentos político-militares, colocando como base o verdadeiro sentido da arte, a arte pela arte. Isso já fica proposto no próprio nome do movimento “DADÁ”, escolhido aleatoriamente e, como vemos na citação acima, na verdade tem um fim em si mesmo, na ideia de não trazer conscientemente com sigo ideia alguma, o sentido é muito mais sensorial que lógico. O artista DADÁ é livre, escreve e cria sua arte livremente, sem pensar no presente nem se preocupar com o futuro, não cria teorias e não segue sistemas e lógicas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS: Os manifestos de Tzara são escritos no próprio estilo DADÁ, repletos de símbolos e expressões que reforçam um modelo único de escrita e arte, uma parábola exposta no qual o leitor deve-se adentrar no intimo do autor. Um estilo satírico que beira o absurdo e provoca desordem e desconstrução, um desarranjo das formas de arte vigentes no período do século XX. Mostra-se como clara intenção de destruir conceitos e repudiar a lógica estabelecida pela classe burguesa e os movimentos políticos do século.

Douglas G. Fernandes

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Sobre Douglas G. Fernandes

Professor de História graduado pela UNIMESP e Filosofia graduando pela UNIFESP. Autor do Portal Alexandria.

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