FELICIANO: Eis que me fiz de santo, quando na verdade era o demônio.

Inevitavelmente conturbador, depressivamente lamentável. A política no Brasil está sofrendo certo tipo de retrocesso. Por onde antes percorria os direitos humanos e minorias, agora domina as trevas e a tendenciosidade religiosa. Já não bastasse uma Idade Media, no qual predominava as vontades e as leis da igreja católica, quando pessoas eram queimadas na fogueira por afirmar que a terra é redonda, ou mulheres afogadas por possuir o conhecimento de curar com ervas. Agora no séc. XXI, também se pratica a desumanização de grupos e gêneros, e predomina as vontades discriminatórias e irracionais. Sujeitam e amordaça a democracia, esta que deve ser o direito que garante as minorias de serem ouvidas e respeitadas.

E na busca incessante ao paraíso, o homem constrói o inferno, se especializa em infernidades e levanta uma cópia de sua visão das trevas. Assim como no inferno, o homem compartimentaliza e divide sua espécie por graus, gêneros e classes. Apelida as cores e escarnia dos gêneros. Utiliza a ciência a seus favores satânicos e mesura satã o chamando de “vontade divina”. Darwiniza o homem e divide as espécies, subjuga o gênero humano às mais diversas categorias. E a religião mais uma vez junta suas mãos com sua antiga rival, assim como no século XIX e XX onde os negros foram delegados a subcategorias evolutivas (social darwinism). Pardos, mulatos, cafuzos, mamelucos legados a espécies de animais enclausurados em verdadeiros zoológicos humanos (Zoos humains). Agora também estes rivais se procuram as mãos e a religião busca na psicologia o favorecimento da cura gay.

Incrivelmente vexaminoso, este senhor Feliciano. E do grande livro sagrado, se retira as partes favoritas, as quais constam em favor dos que as recorta, e nasce um novo livro sagrado e profano, do qual se esconde invólucro de bíblia. E pelas palavras de seus sacerdotes profanos, adentraremos em uma segunda idade das trevas, onde as novas leis serão: a imposição da cura gay, a criminalização da homossexualidade e depreciação das minorias.

Senhor Feliciano: Eis que vós fizestes de santo, quando na verdade sois o demônio!

Douglas G. Fernandes.

Marco Feliciano

Anúncios

Sobre Douglas G. Fernandes

Professor de História graduado pela UNIMESP e Filosofia graduando pela UNIFESP. Autor do Portal Alexandria.

  1. Maria Martã

    Muito bom texto! Realmente, segunda Idade Média. Como pode um cara destes na CDHM!?

  2. Rogério N Sarden

    Interessante, se pararmos para pensar, estas questões, por exemplo, dos zoológicos humanos faz tão pouco tempo!

  3. Boa noite. Momento que escrevo sobre esse assunto interessante.
    Sr. Douglas G. Fernandes Você demonstra bem conhecimentos sobre o inferno e ao mesmo tempo no seu, admito, fascinante texto, mostra não conhecer as verdades que se esconde atrás desse movimento mascarado.
    Pergunta: Qual a verdadeira intenção ou em termo mais abrangente, missão que tem o movimento composto por Homossexuais? Por que há uma árdua luta contra os Homossexuais ou melhor, contra os que eles querem implantar na sociedade? Você já parou para pensar nessas questões? Continuando: Você já analisou o que eles defendem e quais as ideias que apregoam?
    …Seu texto se completa com palavras de dimensões espirituais. Permita me usa-las também….
    Se as ideias fúnebres e os princípios sem moral social, opostos aos princípios básicos se limitassem apenas ao mundo desprovido de práticas naturais, indo contra a lógica humana e a prova disso é que para as próprias pessoas que não compartilha de crenças, repudia tais atos, sabemos que não é assim.
    Movidos por atos de rebeldias, ira sem respeito aos seus não simpatizantes, querem ultrapassar fronteiras que não liga em nenhum momento ao eixo de ideias que querem impor dentro do ceio familiar, sem ao menos pedir permissão. Se você Sr. Douglas defende a família ainda que 1 %, veria a montanha de Ideias e princípios que fere, agoniza, desvirtua e até pode massacrar o que conhecemos como família. Se o que eles querem conquistar envolvesse ou limitasse apenas a seu espaço e mundo sustentado por suas crenças, e não ultrapassasse essa fronteira sagrada, patrimônio familiar, ninguém se importaria com essas pessoas que prática tais atos e argumentam ideias que como um vírus, que contagiar a todos, poderia continuar suas caminhadas nessa trevosa estrada que querem percorrer.
    …..Quando uma pessoa coloca palavras na boca de uma pessoa e constrói uma imagem para essa pessoa sem possui-la, isso é indigno. Tal façanha de distorção alcançou em seu texto….
    Você escreveu que a política Brasileira está sofrendo o processo de mudança que segundo suas palavras, serão prejudiciais, está retrocedendo.
    Para você o que é democracia? Se você não aceita ideias, pensamentos, hábitos, cultura diferente, que de democracia você faz parte? Uma que é movida segundo os seus interesses?
    Isso virou moda. Talvez não seja o seu caso.
    Você nos argumenta que antes os exercícios de cidadania e dos direitos humanam era exercido. Pergunto-lhe, não deveria ser por ser uma comissão de direitos humanos, ser conhecida e popular no Brasil? Até então, não era o que se via.
    Alguns dizem que estava mais para base operacional do movimento Homossexual do que realmente de forma verídica, exercendo ao interesse dos necessitados.
    Ame a democracia. Ame o diferente.

    • Sandro, primeiramente obrigado pelo comentário que só vem a acrescentar. Não discutirei com você ou qualquer outra pessoa questão de crença, porém não se engane com minha falta de apelo ao divino e certo “ceticismo” nas palavras. Como professor (e como pessoa) não trabalho com conhecimentos pre-estabelecidos, já fui pregador do evangelho e hoje não professo nenhuma religião (isso não quer dizer que eu seja ateu), ou seja, tenho conhecimento de causa tanto evangélica, política e de grupos étnicos e gêneros.

      Historicamente o homem associa política e religião corrompendo e se apropriando da crença alheia como forma de exercer poder e dominação. As doutrinas mudam conforme as vontades ou necessidades culturais construídas historicamente, não são verdades em si. Mesmo as que estão descritas nos evangelhos ou no AT – são sujeitas às culturas daquele tempo, ou por acaso você alimenta uma longa e bela barba aparada somente nas pontas, como Jesus e Moisés – entre outros .

      Assim como os anjos e diferentemente dos animais, o ser humano não tem, propriamente como Humano, um sexo, o que temos é identidade sexual, posto que em nós o sexo serve mais que para procriação (para muito além do biológico), e o sexo, ora, o sexo é mais que pecado e depravação, é afetividade e cumplicidade. Não me cabe dizer se fazer sexo descompromissadamente é ou não erro. Mas nos cabe refletir sobre o que é “família”, quais as virtudes da família e se se-vive com virtude e bons valores, qual a diferença de uma família convencional e outra que não é. Devo lembrar que há algum tempo atrás uma mãe solteira era mal vista por ser solteira, ou uma família com poucos filhos ou sem filhos homens não era bem vista. Então a questão que fica é, se vive-se com decência (o que fazemos na intimidade só a nós diz respeito) e virtude, o que importa nossa sexualidade? Minhas palavras não são “A” verdade e nem quero mudar você de opinião, mas a toda oportunidade devemos refletir se estamos pensando por nós mesmos ou se estamos repetindo uma ideia que outras pessoas colocaram em nós.

      O homem que esta conectado com sua essência transcendente, e entenda a transcendência como quiser, não precisa de uma religião (religação), pois nunca rompeu com o divino.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: