A deturpação do socialismo!?

Normalmente costumo entrar em discussões frutíferas com os seguidores da página deste site, com meus alunos e com meus professores e ex-professores da universidade. E portanto no intuito de acrescentar ao entendimento de diversos assuntos abro com essa discussão sobre o socialismo uma nova categoria no site. Me proponho a extrair das redes sociais algumas discussões construídas entre amigos. 

Deturpação do socialismoUm professor de economia em uma universidade americana disse que nunca havia reprovado um só aluno, até que certa vez reprovou uma classe inteira.

Esta classe em particular havia insistido que o socialismo realmente funcionava: com um governo assistencialista intermediando a riqueza ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e justo.PORTAL ALEXANDRIA

O professor então disse, “Ok, vamos fazer um experimento socialista nesta classe. Ao invés de dinheiro, usaremos suas notas nas provas.” Todas as notas seriam concedidas com base na média da classe, e portanto seriam ‘justas’. Todos receberão as mesmas notas, o que significa que em teoria ninguém será reprovado, assim como também ninguém receberá um “A”.

Após calculada a média da primeira prova todos receberam “B”. Quem estudou com dedicação ficou indignado, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado.

Quando a segunda prova foi aplicada, os preguiçosos estudaram ainda menos – eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma. Já aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que eles também se aproveitariam do trem da alegria das notas. Como um resultado, a segunda média das provas foi “D”. Ninguém gostou.

Depois da terceira prova, a média geral foi um “F”. As notas não voltaram a patamares mais altos mas as desavenças entre os alunos, buscas por culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela classe. A busca por ‘justiça’ dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma. No final das contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar o resto da sala. Portanto, todos os alunos repetiram aquela disciplina… Para sua total surpresa.

pface

O professor explicou: “o experimento socialista falhou porque quando a recompensa é grande o esforço pelo sucesso individual é grande. Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros para dar aos que não batalharam por elas, então ninguém mais vai tentar ou querer fazer seu melhor. Tão simples quanto isso.”

1. Você não pode levar o mais pobre à prosperidade apenas tirando a prosperidade do mais rico;
2. Para cada um recebendo sem ter de trabalhar, há uma pessoa trabalhando sem receber;
3. O governo não consegue dar nada a ninguém sem que tenha tomado de outra pessoa;
4. Ao contrário do conhecimento, é impossível multiplicar a riqueza tentando dividí-la; 
5. Quando metade da população entende a idéia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação.

  • Comentário “Mariana”

Veja como é fácil deturpar um conceito

  • Comentário “Henri”
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    Pra lá de deturpado caríssima Mariana: 1º o sistema socialista não é um sistema de igualdades, mas de diferenças já que deve ser um estado de cooperação em que cada um opera conforme suas capacidades a cada de acordo com suas necessidades. O exemplo dado fracassa por não valorizar as capacidades individuais, mas de igualar a todos tiranicamente. O professor, se não fosse pragmático, deveria propor que os alunos mais bem preparados e dispostos às artes socializassem suas notas com os que melhor iriam em física e estes com os que melhor iriam em letras e assim por diante. O Socialismo não existiu em nenhum governo, o governo mesmo não poderia existir verticalizado como o pragmático professor bem o representou, se colocando como o próprio estado, mas horizontalmente, o que supõe ao fim do próprio estado,assim como o socialismo não pode ser jurídico, não é um sistema em que as diferenças se desfazem pelo nivelamento material ou pelas leis, mas ao contrário em que as diferenças são a expressão da potenciação de cada indivíduo por sua auto-realização humana com os demais seres que não mais concorrerão entre si para que sobrevivam, mas ao contrário serão livres um a completar ao outro por suas capacidades individuais a atender as necessidades do gênero. É certo que o pragmatismo não compreende que na medida em que a realidade social produtiva vai se alterando a forma de pensar bem como os valores se plasmam em comportamentos completamente diferentes, algo que nos faz crer que as leis seriam simplesmente dispensáveis pois que o comportamento humano seria ele próprio voltado para o bem comum, nem as necessidades de uma exigência moral externa, pois já seria intrínseca ao ser social. Finalmente sem estudar em profundidade o pensamento marxiano os conservadores convenientemente vão propagando a ignorância, o que não poderia ser diferente, aliás nota-se que a direita fala mais do socialismo do que a esquerda seria capaz de propagar o bom entendimento
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  •  Comentário D – Fernandes
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     O professor Henri explicou bem e acho que ficou bem entendido, mas se posso humildemente somar. Fica evidente no experimento deste professor norte americano, um furo comum que se aplica na compreensão da teoria socialista.
    O socialismo só vai acontecer quando as condições históricas estejam favoráveis a uma revolução, pois, o comunismo é proveniente de uma luta popular e não algo dado de quem já está no poder. Isso pressupõe que o nível de consciência do povo já seria algo inevitável à transformação social e cooperação mutua. Numa sociedade verdadeiramente socialista (como ainda não ocorreu) eu teria a possibilidade real de exercitar as minhas potencialidades e não seria obrigado a seguir as tendências de mercado como hoje ocorre, quantas pessoas gostariam de ser artistas, ou ate professores, mas fazem administração ou direito, ou ainda, como hoje é tendência, áreas relacionadas a informática, pelo motivo que são profissões mais valorizadas pelo mercado. 
    Para concluir, como o professor bem disse, nunca daria certo igualizar as notas de uma sala de aula, como se em uma sociedade socialista todos fossem nivelados e postos em igualdade como num equivalente geral de ser humano, mas seriamos igualados conforme nossas habilidades. Se eu que sou bom em História posso ajudar o meu amigo que não é tão bom ele consequentemente me ajudaria onde eu tenho dificuldade e ele possua alguma facilidade, não podemos exigir de todos a mesma habilidade em algo especifico, mas podemos esperar que todos descubram algo em que se desenvolvam e sejam aptos a colaborar na construção de uma sociedade que tenha como base a correlação das diferenças e não a competição entre as mesmas.
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Sobre Douglas G. Fernandes

Professor de História graduado pela UNIMESP e Filosofia graduando pela UNIFESP. Autor do Portal Alexandria.

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