DEPENDENCIA E DESENVOLVIMENTO NA AMÉRICA LATINA

Este trabalho tem por objetivo analisar o texto de Fernando Henrique Cardoso sociólogo brasileiro com outras especializações acadêmicas nas áreas de humanas, e Enzo Falleto sociólogo chileno, o texto está compreendido no livro DEPENDENCIA E DESENVOLVIMENTO NA AMÉRICA LATINA; Zahar Editores; Rio de Janeiro; 1981. O titulo do texto em questão é “Populismo e Desenvolvimento Nacional”.

Através da análise do texto de FHC e Enzo Falleto pode-se entender que esses autores buscaram abordar as transformações ocorridas no Brasil após a crise de 1929, crise esta que modificou as estruturas e superestruturas econômicas e políticas do Brasil, este período de crise mundial impulsiona o desenvolvimento nacional e é chamado pelos autores de momento da “transição”, pois é um período onde as oligarquias agrotradicionais exportadoras perdem forças econômicas e políticas no país, permitindo assim que novos grupos assumam o poder.


Estas novas forças que assumem a direção e controle do Estado têm como líder Getulio Vargas que, procurando uma alternativa para pelo menos diminuir a dependência do Brasil ao capital estrangeiro e ao monopólio dos grandes cafeicultores, se aproveita do momento difícil de crise que atinge tanto o capital internacional como os grandes exportadores cafeeiros do país. Assim o texto analisado nos mostra que para Vargas consolidar seu poder tivera que sedimentar alianças com latifundiários não-expotadores, com setores da classe média e com a pequena e trôpega burguesia industrial e comercial urbanas, excluindo num primeiro momento os setores agro-exportadores, no que diz respeito à população permaneceram como massa de manobra na mão dos grupos que assumiram o poder, porém, a nova política beneficiava a massa urbana e marginalizava a grande massa rural.

O governo populista de Vargas teve por característica subsidiar o desenvolvimento industrial brasileiro, contudo, a burguesia industrial brasileira não se alinhou desde o início ao projeto de Vargas, como elucida os autores:

“(…) o Estado surge como instrumento não só de regulação do sistema industrial, mas também como instrumento direto de sua constituição, através da criação de empresas públicas, autárquicas ou paraestatais. (…) A preocupação de formar um mercado interno capaz de estimular o desenvolvimento e de conduzi-lo posteriormente para uma expansão auto-sustentada não surgiu nem se transformou em política efetiva a partir dos setores industriais; só em um segundo momento os grupos empresariais quando o impulso industrialista já está dado voltaram seus interesses para esse tipo de política”. (CARDOSO, FERNANDO HENRIQUE; FALLETO, ENZO; p 103, 104)

   Ou seja, essa assertiva nos mostra que a burguesia industrial brasileira se apoiou no Estado como um parasita que só conseguiu o seu desenvolvimento por conta desse impulso do governo varguista, e que antes desse impulso era uma classe incapaz de manter e desenvolver a indústria nacional. Esta intervenção regulatória do Estado no desenvolvimento industrial nacional já elucidada acima, mostra outra característica que diferencia esse modelo brasileiro, indo à contramão de outros países que adotaram políticas econômicas com ações “liberais”, já que o Estado no caso brasileiro era o regulador do mercado, portanto, impossível ter uma política econômica liberal.

Em relação às massas populares, houve uma concentração de capital em investimentos no setor urbano isto se explica até certo ponto pela necessidade de atender a população urbana, por um motivo político que os autores sintetizam assim:

“A explicação, ao nível político, da ação governamental para o surgimento do setor industrial consiste em que a existência de massas mobilizadas, sem efetiva contrapartida de um regime de empregos que as incorporasse, criava real ou virtualmente uma situação fluida e perigosa para aqueles que detinham o poder e, em certo sentido, para os setores politicamente organizados da nação”. (CARDOSO, FERNANDO HENRIQUE; FALLETO, ENZO; p 105)

Porém, devido à limitação do desenvolvimento subsidiado pelo governo, era preciso excluir a massa rural desse desenvolvimento visando manter o equilíbrio desse programa de governo. Outro setor excluído, mas esse não permanentemente, os cafeicultores, voltaram novamente ao jogo político ao reorientarem seus capitais para o mercado interno, atendendo os interesses do governo Vargas.

O populismo varguista conseguiu com suas reformas trabalhistas garantir um amplo apoio das massas urbanas, reformas essas que FHC e Falleto às definem da seguinte forma:

“A liderança populista pode ser também uma liderança de tipo empresarial e, em conseqüência, o Estado aparece não só como patrão mas, visto da perspectiva das massas, até como bom patrão; as reivindicações populares são relativamente débeis ao nível econômico e, portanto, podem ser atendidas, e ao nível político, na medida em que pressionam pelo fortalecimento do Estado, coincidem com os interesses dos grupos que chegaram ao poder sem uma sólida base econômica própria, fator que também os faz favorecer um desenvolvimento de cunho estatal”.(CARDOSO, FERNANDO HENRIQUE; FALLETO, ENZO; p 106, 107)

Não obstante o Estado é usado pelo setor privado como instrumento de distribuição de crédito e de redistribuição de renda, contudo, o setor industrial que teve subsídio do governo quando se estruturou suficientemente para romper com o modelo econômico nacionalista, aliou-se com o capital estrangeiro, com isso se cristaliza a fragilidade do populismo em atender todas as ramificações da economia.

Em suma o populismo abordado nesta análise com base no texto de FHC e Enzo Falleto têm por característica a manipulação política sobre a massa dos trabalhadores, tomando medidas que davam a falsa impressão de que os operários tinham suas reivindicações atendidas, por meio de uma ilusória participação política, concentrava todo o poder econômico e político no governo, deixando-se usar pelos setores aliados, mas manipulando-os também de acordo com seus interesses, ou seja, uma política absolutamente centralizadora e controladora.

   Luciano Roberto Santos

Renato Alves Frutuoso

Douglas G Fernandes

Renato Ribeiro

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Sobre Douglas G. Fernandes

Professor de História graduado pela UNIMESP e Filosofia graduando pela UNIFESP. Autor do Portal Alexandria.

  1. Olá

    O texto é muito bom mesmo.
    E pior que até hoje as coisas são assim, o pobre, o trabalhador sempre tem em mente que o governo está ajudando, quando aumenta o salário, quando da uma auxílio( bolça família)mas na verdade estão confundindo, infelizmente, a liberdade com a prisão. Nada no Brasil, pelo menos, é feito sem 99,9% de interessete dos próprios governantes. Não é para ajudar a nós e sim a eles mesmos.
    Infelizmente o interesse é que move a humanidade.

    bjs

  2. Renato Alves

    Caramba que texto interessante, esses autores têm futuro….rrs

    Abraços

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